sexta-feira, outubro 31, 2008

Universidades vão facturar 274 mil euros por dia em vendas

IST coloca Universidade Técnica de Lisboa na liderança

A venda de bens e serviços deverá render 274 mil euros por dia ao ensino superior universitário público durante o próximo ano, segundo dados do Orçamento do Estado (OE) que está em discussão. Os indicadores previstos para 2009 são substancialmente melhores do que este ano: em 2008, as vendas renderam 228 mil euros por dia, ou seja, menos 20%.

Fazendo as contas a 365 dias, os dados do OE 2009 apontam assim para uma facturação global em vendas ligeiramente superior a 100 milhões de euros. Em 2008, os números globais das 15 universidades públicas ficam-se pelos 83 milhões de euros e em 2007 marcaram pouco mais de 65 milhões de euros. Isto é, em tempos de dificuldades orçamentais no ensino superior, as universidades públicas estão a conseguir angariar mais receitas próprias pela via das vendas.

Quando se divide os 100 milhões de euros pelas 15 instituições, chega-se a uma média de facturação de 6,67 milhões de euros por universidade em 2009 – ou a uma média de 18 mil euros por dia em cada umas das escolas. Entre as actividades que geram estes números, encontram-se, por exemplo, o aluguer de espaços e equipamentos, a venda de publicações, vistorias, alojamento, serviços de laboratórios e o desenvolvimento de estudos, pareceres ou projectos de consultadoria.

Técnica lidera
A instituição mais lucrativa, ainda de acordo com o OE 2009, é a Universidade Técnica de Lisboa – aliás, já o é em 2008. No total, a instituição liderada por Fernando Ramôa Ribeiro tem inscrita uma facturação de 19,1 milhões de euros em vendas, beneficiando sobretudo do papel do Instituto Superior Técnico (IST), que é a maior escola da Universidade.

O IST [em cima, na fotografia], por si só, tem orçamentadas vendas de bens e serviços que ascendem a 14 milhões de euros. À excepção da Universidade do Porto, e naturalmente da Técnica, não há universidade que venda no seu todo tanto como o IST, que é apenas o equivalente a uma faculdade.

Ainda assim, o desempenho do IST é mais modesto do que aquilo que surge discriminado no OE 2008. Para este ano, o IST orçamentou vendas de bens e serviços no valor de 16,5 milhões de euros, substancialmente acima do que está registado no OE 2009.

Voltando à análise por universidade, a Técnica lidera, como já foi referido, graças aos 19,1 milhões de euros que orçamentou para o próximo ano. O Porto é a segunda da lista, com 14,1 milhões de euros. O terceiro lugar pertence à Universidade de Lisboa, com 13 milhões.

Na cauda da tabela, e à semelhança do que já sucede no OE 2008, surge a Universidade da Madeira, com apenas 500 mil euros.

Vendas pesam mais nas receitas
Tal como as propinas, as vendas contribuem para as receitas próprias das universidades. Aqui, o OE 2009 também denota sinais positivos: em 2008, as universidades orçamentaram 272 milhões em receitas próprias; para o próximo ano, o valor é ligeiramente superior a 310 milhões de euros, ou seja, mais 14,6%.

Apesar de os números mostrarem que as instituições estão mais activas junto da sociedade, o caminho ainda está por maturar. É que os 310 milhões representam pouco mais de 25% das receitas totais das universidades, o que denota ainda uma dependência significativa das verbas transferidas pelo Estado e de outros fundos, nomeadamente europeus.

quinta-feira, outubro 30, 2008

Rebellion against Italian education reform grows

Protest against government cuts in school and university research funding has escalated with mass street demonstrations and occupations spreading across the country.

Massive protests are taking place in many Italian cities and towns against Berlusconi's government school reforms, which consist of cuts on public university and research funds, the introduction of student behavior evaluation and the separation of foreign students from the Italian ones in different classes.

For almost 1 month throughout Italy High Schools and Universities have been occupied by students and teachers, and lessons are taking place outdoors.

Massive street protests have disrupted the normal functioning of the cities.

The demonstrations are growing as they go along and this trend is expected to continue next month.

There was an assault on the Roma Film Festival as Al Pacino arrived, and on Sunday primary schools children joined the protest.

Many of the demonstrations have been of a highly creative and amusing variety. The mainstream media has remained quite quiet on the issue, but News has been spreading via social networking and user generated content websites such as youtube.

Here are some examples:

PISA:
http://uk.youtube.com/watch?v=zOjyVoK9OJ4
http://uk.youtube.com/watch?v=i_UTJLSgBx0&feature=related
http://uk.youtube.com/watch?v=L9atLexVxds&feature=related

MILAN:
http://uk.youtube.com/watch?v=BmzCmBQTNuc
http://uk.youtube.com/watch?v=eE6OYF2Ubp8&feature=related
http://uk.youtube.com/watch?v=lFzSFI_kXpM&feature=related
http://uk.youtube.com/watch?v=HTr9YxV4tEk&feature=related

ROME:
http://uk.youtube.com/watch?v=5F6AZ_kL6l8&feature=related (lesson outside the Parliament)
http://uk.youtube.com/watch?v=95qwE4XLIhg
http://uk.youtube.com/watch?v=V_AEnya7oYY (Rage Against the Machine)
http://uk.youtube.com/watch?v=zoAfMj0fXdY&feature=related
http://uk.youtube.com/watch?v=9eHjZM2fZf4 (Roma Film Festival)

SKY TV:
http://uk.youtube.com/watch?v=zAB00aRW01I&feature=related (the News crew was attacked after accusing the students of forcing the police barriers)

FLORENCE:
http://uk.youtube.com/watch?v=6YLY_5dyBVg (death of education)
http://uk.youtube.com/watch?v=ZHRRZY96xyM&feature=related (brain hunt)
http://it.youtube.com/watch?v=ofjCoFYVycA&feature=related (D&B off the Duomo)
http://uk.youtube.com/watch?v=vJTZnYlS5uo&feature=related
http://uk.youtube.com/watch?v=NajWUGuBJ-0&NR=1
http://uk.youtube.com/watch?v=Rc75X8JBOnU&feature=related
http://uk.youtube.com/watch?v=Detmsdks9bM&feature=related

PALERMO:
http://uk.youtube.com/watch?v=T8jf6NRS6LE&feature=related
http://uk.youtube.com/watch?v=hjUK0zH8CTE&feature=related
http://uk.youtube.com/watch?v=o9JiZ-Tqkuw&feature=related

TRIESTE:
http://it.youtube.com/watch?v=70hU2Mjc7kk

AND MANY OTHER CITIES:
http://www.beppegrillo.it/

National Call, Rome, 22.10.2008 from the Occupied Faculty of La Sapienza, Rome

“We won’t pay for your crisis”, this is the slogan with which a few weeks ago we started our protest at the university of La Sapienza, Rome. A simple, yet at the same time immediate, slogan: the global crisis is the crisis of capitalism itself, of the financial and real estate speculation, of a system without rules or rights, of unscrupulous companies and managers. The burden of this crisis can’t fall on the educational system - from the school to the university - on the health system or generally on taxpayers.

From the Occupied Faculty of La Sapienza, Rome
National Call, Rome, 22.10.2008

To the faculties in mobilization, to the undergraduate and Ph.D. students, and to all the precarious researchers

“We won’t pay for your crisis”, this is the slogan with which a few weeks ago we started our protest at the university of La Sapienza, Rome. A simple, yet at the same time immediate, slogan: the global crisis is the crisis of capitalism itself, of the financial and real estate speculation, of a system without rules or rights, of unscrupulous companies and managers. The burden of this crisis can’t fall on the educational system - from the school to the university - on the health system or generally on taxpayers. Our slogan has become famous, spreading by word of mouth, from town to town. From the students to the precarious workers, from the working to the research worlds, nobody wants to pay for the crisis, nobody wants to nationalize the losses, whereas for years the wealth has been distributed among few, very few people.

And it is exactly the contagion that has been produced in these weeks, the multiplication of the mobilizations in the schools, in the universities, and in the cities that should have stirred up a lot of fear. It is well known that a fearful dog bites; similarly, the reaction of President Berlusconi was immediate: “police against who occupy universities and schools”, “we will get rid of violence in our Country”. Only yesterday Berlusconi declared that he was willing to increase the financial support to the banks and that the State and the public expense would stand surety for the companies’ loans: in a few words, cutbacks to education, less founds for the students, cutbacks to the health system, but public money for the companies, for the banks and the private sector. We are wondering where is violence: is it a violence to occupy universities and schools or instead that of a government who imposes the Law 133 to cutback the founds for the education system refusing the parliamentary debate? Is it the dissent violent or is it violent who intends to put it down by the police? Who is violent: who mobilizes for the public status of university and schools or who wants to sell them for a few private profits? Violence is on Berlusconi government’s side, while in the occupied schools and universities there is the great joy and indignation of who fights for his own future, or who doesn’t accept to be put in the corner or forced to be silent. We don’t want stay in silence in the corner, of who wants to be free.

They tell us that we are only able to say no, that we don’t have any proposal. There is nothing more false: the occupations and the meetings of these days are really building up a new university, a university made of knowledge, as well as of sociality, of learning, but also of information, and consciousness. Studying is very important for us: and it is exactly for this reason that we think that the protests are necessary: we are occupying so that the public university can endure, to continue to study and do research. There are a lot of things that have to be changed both in the universities and in the schools, but one thing is certain: the change can’t pass through these cutbacks. Changing the university means increasing founds, to sustain the research, to qualify the educational processes and to guarantee mobility (from study to research, and from research to teaching). The cutbacks mean just one thing: transforming the public universities in private foundations, decreeing the end of the public university.

The design and its tools are clear: Law 133 was approved in august, and against the protests of dozens of thousands of students they claim the police. This government wants to wreck democracy, through the fear, through the terror. But today, from La Sapienza in mobilization and from the occupied faculties, we want to say that we have no fear and we won’t step back. On the contrary, our intention is to make the government retreat: we won’t stop struggling before Law 133 and the Gelmini decree will be withdrawn! This time we will proceed till the very end, we don’t want lose, we don’t want submit to this arrogance. For this reason we ask all faculties of the Country to do the same: they want to repress the occupations, so that a thousand of faculties occupy!

Moreover, after the extraordinary success of the general strike on October 17th, we think that is the right time to give an unitary and coordinated answer in our cities. We suggest two national dates: a day of mobilization on Friday November 7th, with demonstrations spread all over the cities; a huge national demonstration of the educational world, from university to School, on November 14th in Rome, the day the unions proclaimed the general strike of the university; a day to be built from the bottom and in which the central figures have to be the students, researchers and teachers in mobilization. At the same time we think that it is useful to cross, with our forms and claims, the general strike of the school proclaimed by the unions on Thursday October 30th.

What is happening in these days tells us of a powerful, extraordinary and rich mobilization. A new wave, an anomalous wave that doesn’t want stop and that rather wants to win. We have to increase this wave and the will to struggle. They want us idiots and resigned, but we are cleavers and in movement and our wave will go far!

From the occupied faculties of the La Sapienza, from the University in mobilization, Rome.

http://www.uniriot.org

InterActivist info exchange

segunda-feira, outubro 27, 2008

CRUP acusa Governo de não fazer “pequeno esforço” no OE 2009

Reitores dizem que universidades pagam mais do que o país.

O Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) considera que o Governo, por não ter feito um “pequeno esforço complementar” no financiamento público das universidades para 2009, coloca em causa o “bom funcionamento do sector”. De acordo com dados do Ministério do Ensino Superior e do Orçamento do Estado (OE) do próximo ano, as dotações de funcionamento das universidades sobem 3,6% face ao ano passado. As instituições dizem que este aumento não é suficiente para cobrir os descontos de 11% para a Caixa Geral de Aposentações e o aumento salarial de 2,9%.

Num comunicado emitido recentemente, o órgão que representa as universidades públicas e a Católica “lamenta que não tenha havido da parte do Governo a vontade de fazer o pequeno esforço complementar, absolutamente irrelevante em termos de orçamento nacional, que poderia fazer a diferença e significar a estabilidade e o bom funcionamento de um sector fundamental para o futuro do País”. Segundo o texto, “por vontade expressa do Governo de assim impor e não por qualquer outro motivo, cerca de metade das universidades públicas portuguesas estará, em 2009, sujeita a orçamentos irrealistas e conhecerá o sabor amargo do recurso a dotações intercalares que menorizam a sua posição e que limitam a sua autonomia”.

O CRUP diz compreender “as restrições impostas ao exercício de elaboração de um OE em situação de reconhecidas dificuldades financeiras”, mas critica “a dimensão da contribuição” que está a ser pedida às universidades. “Entre 2005 e 2008, [as universidades] viram as suas dotações para funcionamento diminuir, em percentagem do PIB, cerca de 16%. Este valor é quatro vezes superior ao esforço nacional concertado para redução do défice público no mesmo período, que, como é sabido, foi de cerca de 4%”, lê-se no comunicado.

domingo, outubro 26, 2008

Cursos de formação dão o triplo das bolsas do Ensino Superior

Um bolseiro do ensino superior recebe cerca de 170 euros mensais, menos de um terço do que é pago a um desempregado que tire um curso de Educação e Formação para Adultos. Uma disparidade que mostra as dificuldades por que passa quem não tem dinheiro e quer um curso superior.

A bolsa média mensal atribuída a um aluno do ensino superior, pouco mais de 170 euros, não chega a um terço do que recebe um desempregado que regresse à escola para completar o 6.º, 9.º ou 12.º ano e obter uma qualificação profissional, num curso de Educação e Formação para Adultos (EFA). Uma disparidade difícil de explicar quando as despesas dos primeiros estão longe de ser inferiores.

Segundo dados divulgados esta semana pela Direcção-Geral do Ensino Superior, dos períodos 1996/97 e 2006/07, as bolsas médias para estudantes do superior privado chegaram nesse último ano a 186,59 euros mensais, distribuídos por dez meses. Uma descida na ordem dos 90 euros em 10 anos, parcialmente compensada pelo facto de ter aumentado o número de alunos abrangidos. Relativamente às públicas, onde há muito mais beneficiários, o valor médio é inferior em cerca de 20 euros.

Comparativamente, ao entrar num curso EFA, a partir dos 18 anos, o desempregado, graças a apoios comunitários, tem assegurado durante 14 meses o equivalente ao salário mínimo (426 euros), acrescido de subsídios de refeição e transportes que elevam o montante para cerca de 500 euros. Se tiver filhos, recebe ainda apoios para a creche.

Não está em causa esta última oferta - calculada para garantir um mínimo de estabilidade financeira a que a aproveita - mas o que ela diz sobre as dificuldades de quem tenta tirar um curso superior sem recursos próprios ou familiares.

É que, segundo dados recolhidos por Luísa Cerdeira, uma administradora da Universidade de Lisboa que preparara uma tese de doutoramento sobre os custos da formação superior, um único ano de curso implica gastos de 6146 euros, entre despesas de educação e gerais, como alojamento, refeições e deslocações. "No sector universitário, um aluno gasta 5538 no público e 8735 euros no privado, no politécnico, respectivamente, 5057 euros e 7757", explica.

Pobres evitam empréstimos

Assim, no escalão mais alto, o aluno poderá aspirar às propinas pagas. Mas a maioria não chegará nem perto. "Esse número dos privados, que equivale a 1858 euros anuais, pode comparar-se com os 3023 euros que, em 2007, estes alunos pagavam de propinas", diz Luísa Cerdeira. "A OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico] recomenda que as bolsas para alunos carenciados cubram todas as despesas de educação e, se não todas, a maioria das outras. Em Portugal, é pouco mais de metade das propinas e nada do resto." A explicação passa por questões culturais: "Em Portugal, como noutros países do Sul da Europa, ainda se considera que se depois dos 18 anos o aluno prossegue os estudos é a família que tem de pagar." A consequência, defende, é que muitos "acabam por não o fazer".

E o sistema de empréstimos que o Ministério do Ensino Superior está a implementar, diz, não é a solução: "Há muitos estudos que mostram que as famílias mais pobres têm medo de contrair dívidas, e evitam-nas. O sistema é mais útil para ajudar famílias que passem por dificuldades temporárias, não permanentes."

Descontos para Segurança Social deviam pagar empréstimos

Em 2007, o Governo iniciou um sistema de empréstimos para estudantes do Ensino Superior com garantia mútua a que aderiram vários bancos nacionais. O prazo de reembolso é de 6 a 10 anos com pelo menos 1 ano de carência após a conclusão do curso. Trata-se de um encargo que pode tornar-se pesado no arranque da vida activa.

O Conselho Nacional de Educação (CNE) propõe algo diferente. A ideia base é a de conceder aos alunos um empréstimo durante o seu período de estudo, empréstimo que é depois pago quando (e se) os seus vencimentos ultrapassam um valor mínimo. O pagamento é feito mediante uma taxa adicional nos pagamentos para a Segurança Social (prefere-se ao IRS por ser um imposto individual) e caduca ao fim de um prazo pré-determinado (normalmente de 20 a 25 anos). Deste modo, o aluno que obtém um salário muito elevado paga rapidamente a dívida ao passo que um aluno a quem o curso não ajudou a encontrar uma boa situação vê a sua dívida parcial ou totalmente perdoada. Um sistema deste tipo tem sido usado com êxito, por exemplo, na Austrália.

O CNE defende que o mecanismo de empréstimos deve complementar - sem os substituir - os mecanismos de acção social. E até se mostra-se favorável a este tipo de apoio que já abrange 3100 estudantes. "A comuna de Pádua, nos seus estatutos de 1528, previa empréstimos de 20%, isentos de impostos. Por vezes, era a própria Universidade que emprestava, sob hipoteca, devendo os alunos reembolsar a Universidade quando pudessem, normalmente com a conclusão dos estudos", refere o CNE.

terça-feira, outubro 21, 2008

O Processo de Bolonha na Universidade de Coimbra

Em Portugal, a rápida adequação imposta pela saída da lei que regulamentou, efectivamente, a formatação dos cursos ao Processo de Bolonha fez com que as unidades orgânicas tivessem de avançar para adequações que, em muitos casos, não foram muito além de bipartições das licenciaturas existentes.

Estas bipartições, além de não terem em conta a realidade infraestrutural das faculdades - a profusão de 2ºs ciclos, mesmo quando não há reais condições para estes serem ciclos de excelência -, levantam situações pérfidas, como a exclusão de formação especializada no 1º ciclo, nomeadamente, os estágios.

Como decorre da letra da lei, foi ponto norteador da implementação de Bolonha a comparação dos ciclos existentes na própria universidade com ciclos de estudos internacionais, considerados como de referência na área. Na Universidade de Coimbra, este cenário causou a criação de ciclos de estudos ou mesmo de unidades curriculares, que, na teoria, seriam semelhantes às de referência internacional, mas que, na prática, não têm condições materiais/humanas para funcionar devidamente.

Consequentemente, algumas celeumas proliferam, um pouco por toda a instituição. Casos práticos como a ausência de ensino tutorial e horário de atendimento por parte dos docentes, in lato sensu; as poucas verbas para a internacionalização de estudantes – que, recorde-se, é um dos objectivo máximos apregoados por Bolonha - ou o excesso de carga horária para trabalhadores-estudantes são problemas transversais a quase todas as faculdades. Ainda, as consequências da aplicação do modelo de ECTS para medir trabalho do estudante, que, nem sempre, correspondem ao real esforço de horas dispendidas; a falta de flexibilidade dos curriculae, sem as variantes major/minor e transições feitas “em cima do joelho” foram outras das situações que, mesmo com o acompanhamento dos representantes do corpo estudantil, a UC não conseguiu evitar, com a implementação de Bolonha.

No que diz respeito ao mercado de trabalho, existe a necessidade real de avaliar as diferenças de valorização entre uma licenciatura pré-Bolonha e uma licenciatura ajustada ao modelo de uniformização europeu de ensino. Se, para alguns cursos – mais técnicos -, não é necessária a realização de um segundo ciclo especializante; noutros, maioritários, como são os casos das ciências da saúde, psicologia ou áreas relacionadas com o ensino, é impensável a não realização de um segundo ciclo, que é o que permite, em última instância, ambicionar um emprego qualificado na área de estudos de primeiro ciclo.

Agora, é a altura para reflectir, dois anos volvidos após a primeira reforma. A qualidade e excelência dos processos de ensino/aprendizagem devem ser compassos certos da actuação dos órgãos de governo responsáveis pela criação, adequação e manutenção dos ciclos de estudo. Neste sentido, emerge a importância do Sistema de Gestão de Qualidade Pedagógica e da nova Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior, cuja criação está para breve, organismos que forneceriam dados estatísticos representativos, passíveis de serem organizados como vectores de actuação para a melhoria da qualidade.

Noutro prisma, a apreciação da justiça/injustiça do Processo de Bolonha deve, igualmente, ser feita, mantendo, no entanto, um papel dialogante, vigilante, construtivo e crítico, de forma a que os estudantes não sejam afastados do processo de resolução de problemas. Para este fim, os estudantes, em especial os que têm responsabilidades de representação, não devem escamotear a meta. Meta, essa, que é, exactamente, a luta por um Ensino Superior público, democrático, gratuito e de qualidade, tal como a história da Associação Académica de Coimbra não deixa esquecer. As metodologias para chegar a essa baliza podem variar, sem cairmos no maniqueísmo de abandonar seja a luta de gabinete e a intervenção forte e de qualidade nos órgãos de gestão, sejam os processos de luta de "rua", como as demonstrações e manifestações, quando for tempo disso. A meta é a mesma, por isso as metodologias devem ser utilizadas consoante a estratégia. Porém, mais importante que isso, irá sempre ser uma participação concertada, informada e reflectida, por parte dos estudantes, os únicos e sempre os únicos a serem o motor de luta pelos seus direitos.

Ana Beatriz Rodrigues e Nuno Almeida
(representantes do corpo discente no Conselho Directivo da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra)

segunda-feira, outubro 06, 2008

Universidades estão a cobrar propinas ilegais

Universidades cobram propina máxima a alunos em tempo parcial.
Apesar de só se poderem inscrever em sensivelmente metade das disciplinas, os estudantes em regime de tempo parcial das universidades do Porto e da Madeira têm de pagar uma propina igual à dos restantes.

Para garantir uma maior flexibilidade no acesso ao Ensino Superior, o Governo decidiu, em Junho passado, criar o regime de estudante a tempo parcial. As suas grandes vantagens seriam não obrigar o aluno a ter de se inscrever em todas as disciplinas do ano, beneficiando de um regime especial de prescrições e pagando uma propina menor.

No entanto, segundo o JN apurou, tanto a Universidade do Porto, como a da Madeira, apesar de limitarem a inscrição a cerca de metade dos créditos do regime geral, cobram uma propina semelhante à do regime geral e que é, em ambos os casos, o valor máximo de 972 euros.

Fonte da Universidade do Porto explicou ao JN que, por ter dúvidas quanto à interpretação do diploma legal (ver ficha) e para não atrasar mais a implementação deste regime, a Secção Permanente do Senado da Universidade optou, neste ano lectivo, por equiparar o valor da propina dos estudantes em regime parcial e do regime geral.

Todavia, parece que apenas duas Universidades tiveram dúvidas de interpretação, já que, segundo o JN conseguiu apurar, as demais ou ainda não implementaram este sistema ou então optaram por fórmulas de cálculo que reduzem o valor a pagar (ver ficha).

Na altura, o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, referiu que este regime se destinava "a pessoas que naturalmente não podem cumprir o horário de trabalho e ser estudantes a tempo inteiro, que podem desta forma adequar o tempo de estudo às suas obrigações concretas da vida, como trabalhadores ou como pais". O JN tentou obter uma reacção do ministério a esta situação, mas o gabinete de Mariano Gago escusou-se a dar qualquer resposta.

Um estudante da Faculdade de Engenharia do Porto, que apenas quis ser identificado como Filipe, disse ao JN que, "por estar à espera de um ano complicado em termos profissionais", tinha pensado em inscrever-se a tempo parcial, mas quando constatou que iria pagar o mesmo desistiu da ideia. "Já que pago o mesmo vou tentar fazer o máximo de discplinas", explicou.

quarta-feira, outubro 01, 2008

terça-feira, setembro 30, 2008

Reitor da Universidade Católica defende aumento do valor das propinas

O reitor da Universidade Católica Portuguesa (privada) defendeu hoje que as propinas deveriam aumentar no ensino superior público. "O montante das propinas deveria ser mais elevado, porque os benefícios dos estudantes e das famílias deveriam exigir delas uma maior contribuição para melhorar as condições das universidades", sublinhou Manuel Braga da Cruz.

O responsável acrescentou que o sistema de bolsas deve ser "mais eficaz" para quem tem dificuldades em acompanhar o aumento do valor das propinas, "para que ninguém deixe de frequentar o Ensino Superior". Este ano, todas as universidades e politécnicos vão cobrar a propina máxima que é de 972,14 euros, um aumento de 4,86 por cento nas universidades e 6,22 por cento nos politécnicos, à excepção do Algarve e dos Açores que não vão fixar a propina máxima prevista na lei.

Na conferência realizada na Universidade Católica esteve também presente o ex-ministro da Educação, Guilherme de Oliveira Martins, que defendeu a partilha de responsabilidades na educação entre a escola, a família e a comunidade. "Temos que entender que o caminho a seguir na educação em Portugal tem que ser de maior responsabilização e maior autonomia", esclareceu Oliveira Martins.

O actual presidente do Tribunal de Contas sublinhou que "é preciso que haja uma articulação entre a escola, a família e a comunidade; a escola não se pode fechar em si mesma, porque é um espaço de ligação às famílias". Referindo-se aos contratos de autonomia das escolas, Oliveira Martins referiu que esse sistema pode garantir uma maior "exigência de responsabilidades". "É preciso introduzir os sistemas de modernidade no paradigma da educação em Portugal", alargando a escolarização obrigatória até aos 18 anos, frisou o ex-ministro da Educação.

A conferência "As crianças no centro da educação: A reforma educativa em Inglaterra" foi promovido pelo fórum para a Liberdade de Educação e contou com a presença do secretário de Estado da Educação de Inglaterra, Jim Knight, e com o presidente do Conselho Nacional de Educação, Júlio Pedrosa.

segunda-feira, setembro 22, 2008

Famílias pagam 12% do Ensino Superior

Financiamento assegurado pelos estudantes e respectivas famílias triplicou em 12 anos.

No ano passado, os estudantes suportaram 12% dos custos totais do Ensino Superior público. Em 1995, apenas pagavam 4%. No total, os privados são responsáveis pelo financiamento de um quinto das despesas do Superior.

Em 12 anos, o montante pago pelos estudantes do superior e as suas famílias triplicou. Segundo um documento do Governo a que o JN teve acesso, o Estado suporta 80% das despesas com a educação universitária e politécnica. Os restantes 20% são assegurados pelos privados e pelos estudantes, sendo que os primeiros contribuem com 8% e os segundos com 12% do total dispendido.

Ora, comparando estes dados com os números da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) constata-se que em pouco mais de dez anos o valor pago pelos estudantes mais que triplicou. Em 1995, os alunos e as suas famílias apenas eram responsáveis por cerca de 3,5% do total das despesas do Ensino Superior. Em 2004 este valor era ainda maior: 14%.

O aumento é explicado, em parte pelo crescimento do número de alunos. Segundo a OCDE, de 1995 até 2004, verificou-se os alunos inscritos no Ensino Superior Público aumentaram 46%. Porém, no mesmo período de tempo, o financiamento só aumentou 28%.

Ainda de acordo com a mesma organização, em 2004, Portugal gastou cerca de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) no Ensino Superior, um ligeiro aumento dos 0,9% dispendidos em 1995. A média de investimento dos países da OCDE na educação superior é mis alta: 1,4%. No total, Portugal gasta 5,4% do PIB em Educação. Ou seja, 4,4% são destinados para o ensino não superior enquanto que, como já se referiu, as universidades e politécnicos apenas têm ao seu dispor 1% da riqueza produzida anualmente em Portugal.

As despesas com a Educação são um grande encargo para as famílias portuguesas que cada vez gastam mais neste departamento. Segundo um estudo do Instituto Nacional de Estatística, cada agregado familiar gasta, em média, 1,7% dos seus rendimentos enquanto que, em 1994 apenas gastava 1,3%. E, se olharmos para as famílias com crianças e jovens dependentes, este valor sobe para 2,6%. Em média, cada agregado gasta anualmente 301€ por ano em educação, sendo que 126€ são gastos no Ensino Superior.

Propinas com limite

Todos os anos, o valor máximo das propinas é revisto tendo em conta o Índice de Preços no Consumidor, excepto a habitação. Para o corrente ano, o valor máximo é de 972,14€.

Mais de 120 euros anuais

Em média, cada agregado familiar português gasta 126 euros em despesas com o Ensino Superior. Para toda a educação, cada família gasta 301 euros anuais.

Em 2005, o Orçamento de Estado dedicou ao Ensino Superior 2,1% das verbas. Em toda a Educação gastaram-se 11,4%. Em 2000 tinham-se gasto 12,6%.

Um quinto das despesas com o Ensino Superior são suportadas por entidades privadas (8%) e pelos estudantes (12%).

segunda-feira, setembro 15, 2008

Só as Universidades do Algarve e dos Açores não cobram propina máxima

Quase todas as universidades se encostam ao valor máximo. A evolução no preço da propina até é mais significativa nos politécnicos. Esta segunda-feira, os candidatos ao Superior podem consultar as listas em papel. Saiba quanto vai pagar.

Em média, os alunos universitários vão ter que desembolsar mais 4,86% de propinas e os dos politécnicos mais 6,22%. Segundo apurou o JN junto dos estabelecimentos de Ensino Superior público, apenas as universidades do Algarve e dos Açores não cobram a propina máxima: 972,14 euros. Já os Institutos Politécnicos (IP), depois de no ano passado terem subido as propinas, em média, 8,21%, voltam a praticar um aumento superior ao das universidades.

Em cinco IP verificou-se um aumento superior a 10% e cinco têm as propinas a 900 euros ou mais. O IP de Leiria e algumas escolas superiores de Lisboa já cobram o mesmo ou mais ainda do que as universidades.

Será que, em breve, as propinas de todos os estabelecimentos de ensino superior vão ser iguais e do valor máximo permitido? "Essa situação é inevitável, mas também desejável", responde o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) e presidente do IP de Leiria, Luciano de Almeida. "No que respeita ao acesso ao Ensino Superior não faz sentido que haja uma discriminação positiva ou negativa em função das instituições. Por isso, cursos iguais deveriam merecer propinas iguais", justifica.

Em relação aos sucessivos aumentos, Luciano de Almeida refere que eles são motivados "directamente pela necessidade de compensar o agravamento das despesas - que em muitos casos não são de funcionamento, mas sim derivadas de contribuições e pensões para a Caixa Geral de Aposentações - que não foram compensadas pelo Orçamento de Estado". Por outro lado, "o aumento do número de alunos também agravou as despesas", lembrou.

O reforço extraordinário de quase 10 milhões de euros concedido pelo Governo veio suavizar um pouco a situação deficitária das instituições. Todavia, o presidente do CCISP alerta que o anunciado aumento de 90 milhões de euros para o Ensino Superior no Orçamento de Estado de 2009 fica aquém do desejado. "Se tomarmos como referência o ano de 2005 verificamos que o aumento deveria ter sido de 12%".

Com a não compensação governamental pelas despesas acrescidas, os estabelecimentos de ensino superior viram-se para os alunos em busca de financiamento e, como seria de esperar, os aumentos nas propinas fizeram-se logo sentir, em muitos casos com valores perto ou mesmo acima dos 20%.

A Universidade de Évora, por exemplo, recebeu perto de três milhões de euros de reforço e, mesmo assim, aumentou as propinas em 20,97%. A Faculdade de Letras de Lisboa, em apenas dois anos, passou a propina de 570 para 900 euros. Porém, é a única faculdade de Lisboa, a par de Psicologia e Ciências de Educação, que não pratica a propina máxima.

Nos politécnicos, os aumentos ainda foram maiores. Em média foram de 6,22% mas se formos ver alguns casos individuais verifica-se que em muitos IP os aumentos foram bem maiores. Por exemplo, três das seis Escolas do IP de Coimbra aumentaram as propinas em 100 euros, mais de 15%. Todavia, os maiores aumentos foram no IP de Lisboa: 155 euros (18,8%) na Escola Susperior de Música e 188 (23,73%) no Instituto Superior de Contabilidade e Administração.

terça-feira, agosto 12, 2008

International Call for an "International Day of Action against the Commercialization of Education" (5th November 2008)

Student activists from various countries who are all struggling against tuition fees, the increasing influence of companies and corporations on universities and the privatization of Education in general launch this international Call. During the last year alone, hundreds of thousands of students, teaching staff, parents and workers struggled together across the world to defend free public higher education for all. University buildings were occupied, roads blocked and petitions signed.
A list of student and teacher protests against the commoditization of education (and the resulting tuition fees) for the year 2007 can be found here:
http://fading-hope.blog-city.com/international_student_protests_2007.htm
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A similar list for 2008 can be viewed here:
http://fading-hope.blog-city.com/students_protest_worldwide_against_commercialisation_bologn.htm
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Currently students in Chile, the Philippines, the U.S. of A., Spain, Germany, Austria, Canada, New Zealand, France, England and other countries are struggling against the commercialization of education.Since 1999 most governments in Europe have been using the Bologna Process to challenge the status of education as a public good. Consequently the Higher Education systems in Europe are getting more and more linked to private instead of public interests! Officially the process is suppose to improve the international recognition of degrees, increase the mobility of students and aims – just like every country in this world does as well – for Europe to become the most competitive economy on the world stage.
Usually reforms are promoted by promising more “autonomy” for universities and an increasing quality of education. But with more competition between institutions a process of selection is encouraged.
The commercialization of education results in universities being run like companies: students are being reduced to customers (no more democratic participation, be it by students or teaching and technical staff) and employees will be exploited. With increasing competition between institutions the creation of two-class education systems is being encouraged. One class will consist of the “fortunate few” who passed a money-driven selection process or are “high potentials” for the labour market. The majority of students will have no choice but to go to those institutions that lose out in the competition with huge financial problems. Why should the private sector finance an education system that benefits the whole society anyway?
Education is too important to be exposed to market forces and private actors. Education should not be a commodity, but a right for all!

In support of free and emancipating public education

All over the world students are fighting to preserve or gain emancipating education, so that people are able to consider their social environment critically. Of course governments and economic actors have no interest in providing such education. People who are able to critically reflect their environment are less likely to be influenced and controlled. That’s why it is up to the people to make sure that such a free and emancipating public education system is implemented. It is in our own interest as active citizens of the world!
We shouldn’t tolerate that education systems are being reduced to companies “producing” human capital for the labour market. We are not “resources”, but human beings and citizens! All these are reasons why we reject the privatization and commodification of education all over the world. It is not conformable with a truly democratic society.
Education must be accessible to all, and not be tied to age or financial conditions. The commercialization of education is part of an international process shaped by “neo-liberal ideologies” (see WTO; and the promoted competition between geographic locations) and the thirst for profits. Long-time learning for life is better than simple professionalization for the labour market. With this Call we aim to defend this idea and encourage internationally coordinated protests!!

Tools of coordination

There is a group on facebook.com with more than 1,500 members from around the world: “International Students Movement for Free and Emancipating Education” (http://www.facebook.com/group.php?gid=24722765003). We must get connected. I admit, that a network where every message sent is traceable is not really the best platform. But there are simply so many people on Facebook, that it is a good way to get people together and spread awareness.
There is also a mailing list: https://lists.riseup.net/www/info/international_students_movement.
With this list students from various countries can inform other students elsewhere about their struggle
. Let students on other continents know how student movements in your area are acting against this development. An online forum would also help to get people together. Hopefully we'll have one soon.

International Day of Action on 5th November 2008

Various provinces across Canada are organizing a “Day of Action Against Tuition Fees” on 5th November. Why not make it an “International Day of Action against the Commercialization of Education”? We are millions of activists around the world and potentially even more and most societies are wealthier than ever before. Therefore free and emancipating public education for all must not remain just a vision. Too few people see that there are many other individuals struggling against exactly the same forces. This day of action aims to spread awareness and promote the global perspective of the struggle. With this international Call the supporters suggest the following: Most of you reading this are part of a student movement somewhere on this planet. Get in touch with the other activists and discuss this Call. If you decide that you want to be part of this, then get people organized for a particular act of protest (what exactly you do in protest – be it big or small – is completely up to you!) Take pictures of the event and send them to the mailing list (international_students_movement@lists.riseup.net) with a short description of what happened during the protest. Ten days later (15th Nov.) we can start creating a little booklet (or flyer) summarizing all the protests that took part on this day which can then be sent to all groups who are interested. Those can get it printed out and distribute it in their area!
Established students organizations could also publish press releases to get the message out to a broader public.
This international Day of Action will hopefully be only the beginning. When we have a reliant infrastructure and sufficient people from various parts of the world involved, we can plan further steps and actions!!

With this international Call we invite all students and university staff organizations to join us and to fight for truly free and emancipating public education. Please help to propagate this Call, talk to others about it and get involved.
If you scroll down you will find proposals for this international Call in Italian, Croatian, English, German, French and Spanish.

Let's get organized and unite in our struggle for Free and Emancipating public Education.

sábado, julho 05, 2008

Recogida de firmas para salvar la vida y liberar a los estudiantes, en huelga de hambre, detenidos en la prisión de Marrakech

Mediante la presente, nos dirigimos a las instancias locales y a los parlamentos europeos para instarles a intervenir, urgentemente, para salvar la vida de los estudiantes detenidos en la prision de Bou Lamharaz de Marrakech.

Un total de 18 jovenes estudiantes, entre ellos una joven, entraron en su cuarta semana de huelga de hambre indefinida en protesta sobre su encarcelacion tras ser detenidos por protagonizar manifestaciones y protestas, pacificas, en el seno de su sindicato estudiantil UNEM, para reivindicar la mejora de sus condiciones estudiantiles.

El supuesto crimen de estos estudiantes fue el uso de su derecho a la palabra, a la libre expresión y al derecho a manifestar, abiertamente, su desacuerdo con la política de exclusión ejercida por las autoridades universitarias y estatales.

Nuestro llamamiento para salvar y liberar estos estudiantes viene motivado por el principio de ASISTENCIA A PERSONAS EN RIESGO INMINENTE DE MUERTE y por el ejercicio del derecho a la libre expresión recogido en las convenciones internacionales y la Carta magna de los DDHH.

Debido a la extrema urgencia y gravedad de los hechos, las firmas recogidas se entregarán a partir de la próxima semana ante la Comisión Europea, el Parlamento Europeo y el Parlamento Belga. Así como a los medios de comunicación y la prensa.

Las firmas se enviarán a la dirección: etudiants.detenus.marrakech@gmail.com

http://insadem.blogspot.com/

terça-feira, maio 06, 2008

Carta abierta al estudiantado universitario de Madrid

Estimado compañero/a:

Suele decirse que somos una generación pasiva e indolente. Suele creerse que mientras tengamos dos o tres trastos tecnológicos estaremos contentos y conformes. Se nos suele llamar “la generación del botellón”. Es frecuente comprobar cómo cualquier evento estúpido tiene más poder de convocatoria entre nosotros que llamamientos más que razonables. No se comenta por ahí que todo eso puede acabar esta primavera de 2008.

Es más que fácil comprobar cómo el estudiantado en general no conoce la reforma universitaria que comenzó con la Declaración de Bolonia, una reforma radical que se ha ido imponiendo como una apisonadora, sin la más mínima consulta a la comunidad universitaria, la cual ha quedado relegada a mera espectadora de su propia transformación; una reforma que conlleva suficientes riesgos e incertidumbres como para que consideremos legítimo denunciar la opacidad democrática con la que se ha desarrollado: reestructuración de los planes de estudio, imposición de másteres profesionalizantes como requisito para determinadas profesiones (profesorado, abogacía…) tan caros como vacíos de contenido, devaluación de los títulos, cambio de financiación, subidas de tasas, sustitución de las becas tradicionales por hipotecas, flagrante devaluación de contenidos y de la exigencia, cambio del papel de la universidad en la sociedad, presunta revolución pedagógica con tintes de LOGSE… Lo que no es tan frecuente es escuchar que en las últimas semanas cientos y cientos de estudiantes antes no informados ahora están mejor informados que sus propias autoridades académicas, y muy cabreados.

Suele pensarse que las manifestaciones estudiantiles son más una cuestión de estética y de tendencias grupales que una cuestión realmente práctica. No suele caerse en la cuenta de que el 8 de mayo a las 12h en Atocha se va a mostrar la falsedad de esa creencia. Estamos razonablemente convencidos de que hay muchos aspectos del proceso de Bolonia en los que aún podemos intervenir de forma decisiva, pero para ello es imprescindible que nuestra voz suene como nunca lo ha hecho.

Es más que natural creer que no se puede lograr nada. Lo que no se suele tener en cuenta es que en estos momentos nuestro único obstáculo somos nosotros mismos. Si logramos vencer nuestro inmovilismo sencillamente será imposible pararnos en esta lucha por denunciar la ausencia de debate y la pérdida de protagonismo de la universidad, en defensa rigurosa y bien fundada de una universidad pública y exigente (ambas cosas). Y así como se suele creer que seremos cuatro gatos, esta vez temen que seamos todos.

Cada vez tenemos más razones para luchar: precariedad laboral para los jóvenes, la locura de la vivienda… y por supuesto la pérdida del derecho de la sociedad a gozar de una universidad pública y exigente. ¿Cuánto más se nos tiene que quitar para que gritemos “basta”? Quienes convocamos, quienes os rogamos que consideréis si acaso no ha llegado ya la hora de tomar la palabra, consideramos que disfrutar del derecho a estudiar en una educación superior pública y exigente es algo demasiado serio y demasiado importante como para dejarlo pasar mirando hacia otro lado. No es más que puro sentido común. Pero tampoco menos.

No nos cabe la menor duda de que somos muchos los que creemos que la universidad debería haber gozado de un protagonismo que ha brillado por su ausencia. Tan sólo queda manifestarlo. La universidad ha de tomar la palabra. Por eso, llueva o truene, el alumnado y el profesorado de las universidades de Madrid marchará el jueves 8 de mayo a las 12h desde Atocha hasta el Ministerio de Educación. Si nos vencemos a nosotros mismos, si ganamos la batalla individual de cada uno consigo mismo, podemos convertir a Madrid en una auténtica fortaleza en defensa de la universidad pública y exigente.

Esta primavera de 2008 es clave puesto que se acerca el horizonte final de implantación del proceso de Bolonia. Nos encontramos probablemente ante la última oportunidad de defender nuestra universidad, la de todos, antes de que sólo podamos defender un recuerdo.
Y bien. ¿Acaso hay algo mejor que hacer el jueves que empezar a cambiar las cosas?

Plataforma de estudiantes contra Bolonia
Manifestación:
Jueves 8 de mayo
Atocha 12:00h

domingo, abril 27, 2008

150 personas encerradas en la Universidad de Granada contra el plan Bolonia

Hoy 24 de Abril, mientras se celebran las elecciones a juntas de centro y consejos de departamentos, se ha organizado una manifestación en contra del plan Bolonia ya que consideramos que los estudiantes no podemos convertirnos en clientes, ni los profesores en productores de clases sensibilizados a los imperativos económicos. 800 personas han iniciado la reivindicación contra el plan Bolonia en los comedores universitarios de Fuentenueva y han recorrido las calles principales de Granada hasta llegar frente al rectorado de la UGR. Tras ello un grupo de 150 personas ha decidido realizar un encierro reivindicativo en contra del Espacio Europeo de Educación Superior en la Facultad de ciencias políticas y sociología.

Esta crónica se escribe desde dentro de la Facultad a las 22:15h. De momento el rector en funciones nos ha comunicado que no tiene la intención de hacer entrar a la policía. Se está desarrollando una asamblea para determinar las reivindicaciones específicas del encierro. De momento se ha decidido no hablar con ningún medio de comunicación y se va a utilizar solamente los medios antagonistas para comunicar como avanzan los hechos y las decisiones de la asamblea.

Por el momento exigimos:

-El posicionamiento en contra de este plan por parte del rector o vicerrector.

-Paralización de los planes piloto hasta que haya un debate en la comunidad universitaria. Por ello apostamos por un paro preventivo hasta que se ejecute este consenso.

-Paro académico en el que se celebraran asambleas en cada facultad martes 29 Abril de 2008.

terça-feira, abril 08, 2008

Estudantes intensificam ocupação da Reitoria da Universidade de Brasília

Manifestantes afirmam que a universidade não apresentou uma contraproposta “concreta” à pauta de quase 20 pontos reivindicada pelo protesto.
Já são 1.300 os estudantes que ocupam todo o prédio da reitoria da Universidade de Brasília (UnB). A Polícia Federal havia dado um prazo para os manifestantes deixarem o local, até as 15 horas desta segunda-feira (7). Mas, em vez de abandonar a reitoria, os estudantes decidiram intensificar a mobilização. No início da ação, quinta-feira (3), eram apenas cerca de 200 estudantes.

Apesar de a Justiça ter concedido a reintegração de posse do edifício, a Polícia Federal preferiu cortar o fornecimento de energia e água a entrar no prédio. Entre as reivindicações dos estudantes está a saída do reitor, Timothy Mulholland – envolvido no uso de um cartão corporativo para “aparelhamento” de seu próprio apartamento –, e do vice-reitor, Edgar Mamiya, a dissolução do conselho da Fundação Universidade de Brasília (FUB) e a convocação de novas eleições diretas e paritárias.

Os manifestantes afirmam que a UnB não apresentou uma contraproposta “concreta” à pauta de quase 20 pontos reivindicada. Segundo Carla Gamba, coordenadora-geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE), a instituição apresentou apenas um termo de compromisso, que estabelece que o afastamento do reitor e do vice-reitor está “fora de cogitação”, além de propostas como a discussão da paridade nas eleições e o aumento de 20% do auxílio-moradia a partir de maio.

Para o estudante do 8º semestre do curso de serviço social Fábio Félix, decisões tomadas pela administração da UnB, como o corte do fornecimento de água e energia elétrica aos estudantes por um período de 30 horas, dificultaram as negociações. “Em nenhuma ocupação no Brasil as administrações de universidades desligaram água e luz, que são direitos básicos e humanos”.

A União Nacional dos Estudantes (UNE) divulgou nota em apoio à ocupação na UnB, assim como também o fizeram estudantes que participaram da ocupação da USP. Para acompanhar a ocupação em tempor real, os estudantes criaram um blog e uma Rádio Ocupação.

quarta-feira, abril 02, 2008

Golpe de Estado en la Academia

Lo que se ha llamado la Convergencia Europea en Educación Superior viene vendiéndose como una radical revolución educativa para poner la Universidad al servicio de las nuevas demandas sociales. En verdad, se trata del equivalente a una reconversión industrial en el mundo académico. Su objetivo es poner la Universidad pública al servicio de las empresas. La receta es extremadamente simple: la financiación pública se subordina a la previa obtención de “fuentes de financiación externa”, es decir, privadas. En la práctica ello significa que, en adelante, toda la geografía del mundo académico (disciplinas, cátedras, departamentos, facultades, planes de estudios, proyectos de investigación, etc.) se ve forzada a amoldarse a los intereses profesionales y las prioridades de investigación empresarial. Se abre así un abismo entre un edificio que se ha levantado sobre sí mismo con la lentitud propia de la Historia de la Ciencia (26 siglos de diálogos, polémicas y esfuerzos incansables de millones de investigadores) y el imprevisible mundo de las demandas empresariales, cada vez más anárquicas y cada vez más dependientes de capitales que se mueven en la Bolsa a la velocidad de la luz.

Las universidades públicas tendrían que poder ser financiadas con criterios académicos autónomos, que se conformen a los intereses de la razón y no a los del mercado. En muchas ocasiones hay que garantizar la financiación pública precisamente porque no existe financiación privada. Pero hace ya tiempo (Bolonia 1999, Lisboa 2000, AGCS, Doha 2001, OMC 2005, etc.) que las autoridades europeas decidieron saltar al otro lado del abismo. No es que se pretenda privatizar la Universidad; es mucho más rentable ponerla al servicio de los intereses privados. Al volcar la financiación pública en proyectos académicos que ya gozan de “fuentes externas” de financiación lo que se hace lisa y llanamente es subvencionar con dinero público actividades empresariales privadas (al tiempo que se ahoga la financiación pública de actividades de interés ciudadano que no sean rentables). Al mismo tiempo, las empresas se apropian de un ejército de becarios pagados con los impuestos y que trabajarán para ellas y sus propios intereses mercantiles. En una vuelta de tuerca más de lo que Galbraith llamó “la revolución de los ricos contra los pobres”, las empresas no se conforman con pagar cada vez menos impuestos: ahora quieren también el dinero de los contribuyentes. Y a esto se le ha llamado “poner a la Universidad al servicio de la sociedad”.

Para la presentación en sociedad de esta descarnada reconversión mercantil de la Universidad se ha contado con la inestimable ayuda de los pedagogos. Estos eran imprescindibles para disfrazar la mercantilización con los ropajes de una revolución educativa progresista y liberal contra la supuesta rigidez de las estructuras académicas. Lo que necesitaban las empresas era, como siempre, “flexibilidad” y la jerga de los pedagogos era la única que podía teñir esta temible palabra con tintes progresistas e incluso izquierdistas y antiautoritarios. Había que perder el respeto a las rigurosas distinciones del edificio científico y abogar por la “formación continua”, “flexible”, “transversal” y “psicoafectiva” de un profesional todo terreno, capaz de estar en todo momento a la altura y al tanto de las necesidades ingobernables de un mercado laboral cada vez más imprevisible y demente. Para formar este tipo de profesional no hacen falta científicos, sino entrenadores: pedagogos y psicopedagogos capaces de adiestrar personal para la Olimpiada de un mercado laboral vertiginoso.

El resultado ha sido una suicida animadversión hacia los contenidos académicos y científicos, que viene a sumarse a la brutal mutilación de contenidos específicos que ya venía exigida por la mercantilización. La reducción de la duración y la profundidad científica de muchas Licenciaturas ha supuesto un verdadero naufragio académico. Para suplir el déficit de especialización, el alumno puede pagarse –si se lo permite su bolsillo– un master de formación avanzada.

Ahora bien, es en este punto en el que la maniobra de los pedagogos ha supuesto un verdadero golpe de Estado en las relaciones Academia-Profesión que afecta a todas las carreras de corte teórico (Física, Matemáticas, Filosofía, Historia, etc.) que tienen como salida profesional mayoritaria las enseñanzas medias. Un Anexo a la Orden ECI/3858/2007 (27/12/2007) instituye como requisito para presentarse a las oposiciones para profesor de secundaria haber cursado un Master de Formación del Profesorado (MFP) destinado a formar competencias de psicología, pedagogía, psicopedagogía y didáctica aplicada. Se trata, por supuesto, de ampliar a un año (y a precio de master) el actual “Certificado de Aptitud Pedagógica” (CAP). Este cursillo pedagógico nunca ha sido evaluado objetivamente, pese a que no hay nadie con un mínimo de vergüenza que se atreva a dudar de sus nefastos resultados.

Las consecuencias son muy graves para la Universidad y también para la Enseñanza Secundaria y el Bachillerato. La mayor parte de los alumnos universitarios que piensen en su profesión optarán por cursar el MFP y no uno de estudios avanzados en filosofía, lingüística, física o biología. A medio plazo, eso sentencia de muerte los master de casi todas las facultades teóricas y clásicas. Pero lo peor es el perfil del profesor de secundaria al que se aspira. No ya un profesor que sepa filosofía, física o gramática, sino un asesor psicopedagógico de un material humano al que, en realidad, ya se da por perdido: el alumnado en general de toda la enseñanza pública. Pero esto no es una solución sino un agravamiento de un problema cuyas raíces son de carácter social, económico y político, no académicas.

En respuesta al MFP, algunas Juntas de Facultad han comenzado a firmar un manifiesto acordado en la Facultad de Filosofía de la UCM (La Profesión de Profesor). Sus argumentos son muy moderados, pero merecen escucharse.

Carlos Fernández Liria es profesor titular de Filosofía en la Universidad Complutense de Madrid

Ilustración de Enric Jardí

terça-feira, março 11, 2008

Universities in a Neoliberal World


An analisis of the recent neoliberal reforms in Higher Education, by Allex Callinicos, professor of European studies at King’s College, London.